Tarifa de Trump preocupa indústria do Alto Tietê; EUA são principal destino das exportações
Fábricas do Alto Tietê devem sentir impacto nas vendas após tarifas de Donald Trump Foto 1: Empresa Ecus/Arquivo - Foto 2: REUTERS/Carlos Osorio A nova tarif...
Fábricas do Alto Tietê devem sentir impacto nas vendas após tarifas de Donald Trump Foto 1: Empresa Ecus/Arquivo - Foto 2: REUTERS/Carlos Osorio A nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros pode afetar as exportações da indústria do Alto Tietê, que tem o mercado americano como principal destino de suas vendas ao exterior. No primeiro semestre de 2026, a região exportou R$ 377 milhões em produtos para os EUA, o equivalente a 16,1% das exportações locais, segundo o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). ➡️ A tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entrou em vigor em 22 de junho. No entanto, a cobrança passou a ser aplicada aos produtos que chegaram ao país nesta quarta-feira (29). ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp Com a nova tarifa, a expectativa é de mudanças no comportamento da indústria da região. Para o presidente do Ciesp, Rafael Cervone, “as novas tarifas, que posicionam o Brasil como um dos países com barreiras comerciais mais severas nos Estados Unidos, afetam muito nossa competitividade num dos maiores mercados globais”. Fábrica de peças plásticas se instalou em Mogi das Cruzes pela localização da cidade Empresa Ecus/Arquivo Segundo Renato Rissoni, diretor do Ciesp no Alto Tietê, o momento exige cautela e uma análise técnica detalhada. “Ainda não temos o dimensionamento do impacto da medida sobre o volume de exportações da região, mas é certo que um aumento de tarifas naturalmente gere maior cautela por parte das empresas”, alerta. ➡️ Os principais produtos exportados pelo Alto Tietê estão entre as categorias que são atingidos pela nova tarifa imposta pelos Estados Unidos. Entre eles estão papel e cartão, que representam 19,1% das exportações da região, e máquinas e aparelhos elétricos, com 10,9% (veja abaixo a lista completa). Para o economista Diego Hernandez, esses setores têm pouca margem para absorver um aumento repentino de 25%. Ao repassar esse custo aos compradores, os produtos brasileiros ficam menos competitivos, o que pode inviabilizar as vendas no curto prazo. "É algo impraticável da noite para o dia. O mercado local vai precisar de tempo para reabsorver esse excedente e buscar compradores em outros países. É preciso achar novas formas para reduzir essa dependência dos Estados Unidos", explica o economista. Além dos Estados Unidos, Argentina e Paraguai também estão entre os principais destinos das exportações do Alto Tietê. Juntos, os dois países responderam por pouco mais de 22% das vendas externas da região no primeiro semestre. Argentina: 15,1% das exportações, o equivalente a R$ 354 milhões. Paraguai: 7,1% das exportações, com R$ 165 milhões em compras. A diversificação doI mercados ganha ainda mais importância para reduzir os impactos da tarifa americana sobre a economia regional e preservar empregos na indústria. Tarifaço dos EUA preocupa indústrias exportadoras do Alto Tietê Impacto nos empregos Segundo Hernandez, o tempo necessário para encontrar novos compradores para essa produção pode pressionar as empresas a adotarem medidas de curto prazo. "Se essa tarifa continuar por mais tempo, a indústria não vai conseguir absorver o prejuízo sozinha e isso atinge diretamente o trabalhador" , alerta o economista. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que cerca de 29% dos trabalhadores com carteira assinada do Alto Tietê atuam na indústria. Ao todo, o setor emprega mais de 100 mil pessoas. "Em empresas com alta dependência do mercado americano, o impacto no nível de emprego é inevitável, forçando até esquemas de férias compulsórias para tentar segurar as contas ou, em casos mais graves, o fechamento de portas", alerta o economista. Apesar do cenário de incerteza, Hernandez avalia que a tarifa pode perder força nos próximos meses diante das pressões econômicas nos próprios Estados Unidos. "Por mais que seja um momento de susto para a nossa indústria, essa tarifa não deve se sustentar por muito tempo. A economia americana já sofre com a inflação alta e repassar um custo de 25% também prejudica o mercado consumidor deles. A tendência é que seja uma medida temporária e que a região passe por isso sem grandes danos estruturais" explica. O que é o Tarifaço de Trump O presidente Donald Trump anunicou a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA Alex Brandon/Pool via REUTERS Confirmada no dia 15 de julho pelo governo Trump, a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA entrou em vigor no dia 22 de junho, mas passaram a valer oficialmente para os produtos que chegaram ao país norte-americano nesta quarta-feira (29). A sobretaxa alcança cerca de 3 mil itens e será cobrada dos importadores americanos no momento em que os produtos brasileiros entrarem nos EUA. 🔎 Na prática, isso aumenta o custo de levar esses produtos ao país e pode desestimular as compras de produtos brasileiros por empresas americanas. De modo geral, os produtos afetados são: Etanol Máquinas agrícolas Vestuário Maquinário elétrico Calçados Ferramentas de jardinagem Equipamentos de mineração Papel Açúcar orgânico Bens de capital Manufaturados em geral Produtos químicos diversos Itens industriais processados Enquanto isso, outros mais de 2 mil produtos ficaram de fora da medida. Muitos deles foram excluídos por serem considerados estratégicos para a economia americana, seja pelo risco de encarecer produtos essenciais, seja porque o país não produz quantidade suficiente desses itens. LEIA TAMBÉM Tarifaço dos EUA: taxa adicional de 25% passa a valer nesta quarta; veja perguntas e respostas O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que o novo tarifaço atingirá 18% das exportações brasileiras para os EUA. Segundo ele, o percentual tem como referência as exportações de 2024, ano anterior aos primeiros tarifaços anunciados por Trump. O valor corresponde a R$ 37,6 bilhões. Assista a mais notícias sobre o Alto Tietê